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Namíbia pretende exportar Hidrogénio Verde para África do Sul

Namíbia vai exportar Hidrogénio Verde para África do Sul
Namíbia vai exportar Hidrogénio Verde para África do Sul Imagens: DR

Redacção

Publicado às 20h13 02/04/2025

Windhoek - A Namíbia está a iniciar conversações para exportar hidrogénio verde para a África do Sul, numa iniciativa que visa descarbonizar a indústria automóvel sul-africana e ajudar o país a manter a sua competitividade no mercado da União Europeia (UE).

A potencial parceria surge numa altura em que a África do Sul enfrenta uma pressão crescente do Mecanismo de Ajustamento das Fronteiras ao Carbono (CBAM) da UE, que impõe taxas sobre as importações de produtos com elevada intensidade de carbono.

De acordo com o director do Programa de Hidrogénio Verde da Namíbia, James Mnyupe, as exportações deste recurso podem apoiar os objectivos de emissões líquidas nulas da África do Sul, ao mesmo tempo que promovem uma maior integração energética regional.

“O resultado mais interessante é uma possível exportação para a África do Sul para descarbonizar a sua indústria automóvel, uma vez que pretende manter a sua quota de participação no mercado da UE, que se preocupa com as emissões de carbono. Este é verdadeiramente um projecto global”, afirmou Mnyupe.

Jona Musheko, porta-voz da Green Hydrogen Namibia, confirmou que está a ser planeado um estudo de pré-viabilidade para avaliar a capacidade técnica e económica da exportação de hidrogénio. Embora os volumes de exportação permaneçam indefinidos, o principal objectivo é desenvolver a infra-estrutura e o quadro regulamentar necessários.

Está a ser estudada uma proposta para um gasoduto de hidrogénio da cidade namibiana de Lüderitz para a África do Sul. Isto permitiria o transporte do recurso produzido a partir de projectos como o Hyphen Hydrogen Energy, um actor-chave na emergente indústria de hidrogénio verde da Namíbia.

Musheko salientou que o sector do hidrogénio verde namibiano poderia estabelecer o país como um líder regional na transição para as energias limpas em África. Para além das receitas de exportação, a indústria promete atrair investimentos em infra-estruturas, gerar emprego e aumentar a segurança energética.

“O sector está a avançar mais rapidamente do que o previsto, impulsionado tanto pelo progresso tecnológico como pelas políticas comerciais internacionais, como o CBAM da UE”, observou.

Se for concretizado, o acordo proporcionará à África do Sul uma via alternativa para atingir os objectivos climáticos e preservar o acesso aos mercados de exportação regulados pelo carbono. Espera-se uma maior clareza à medida que os estudos técnicos e a procura global forem evoluindo.

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