COMBUSTíVEIS
Moçambique aposta na produção de biodiesel de coco

01/04/2025 13h42
Maputo - Moçambique deu um passo estratégico no campo das energias renováveis com o lançamento de um projecto inovador de produção de biodiesel de coco, que visa posicionar o País como uma referência continental na área da bioenergia sustentável.
A notícia avançada pelo portal Further Africa indica que a iniciativa, que contempla a produção anual de 5000 toneladas de biodiesel, está a ser desenvolvida nas regiões de Palma e Mocímboa da Praia, em Cabo Delgado, envolvendo cerca de 3000 pequenos agricultores.
Com mais de 400 mil coqueiros plantados, o projecto estrutura-se como uma cadeia de valor integrada — do cultivo à refinação e distribuição do combustível.
Concebido como uma alternativa energética complementar ao projecto Moçambique LNG, operado pela TotalEnergies, o biodiesel de coco surge num contexto em que o país procura reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados e diversificar a sua matriz energética.
O projecto Moçambique LNG, relançado recentemente, beneficiou de um financiamento de 4,7 mil milhões de dólares por parte do Banco de Exportação e Importação dos Estados Unidos, após um período de suspensão devido a questões de segurança.
O novo biodiesel tem como base óleo de coco de produção nacional, reforçando a segurança energética, reduzindo a pegada de carbono e promovendo uma abordagem comunitária e resiliente.
Estão previstos mais de 500 postos de trabalho directos e indirectos ligados à bio-refinaria, além de contratos de fornecimento a longo prazo e apoio técnico permanente para os agricultores locais.
Do ponto de vista estrutural, o projecto assenta num modelo de Veículo de Propósito Específico (VPE), que integra produção agrícola, transformação industrial e distribuição. Num primeiro momento, o foco será o mercado interno, alinhado com a estratégia nacional de diversificação energética, com ambições futuras de expansão regional.
De acordo com a mesma fonte, a primeira remessa de biodiesel está prevista para o primeiro trimestre de 2027, marcando o início de uma nova etapa para Moçambique no sector dos biocombustíveis sustentáveis.
A implementação do Sistema Integrado de Alimentação e Energia (IFES) — reconhecido por instituições internacionais como modelo de boas práticas — reforça a credibilidade e sustentabilidade técnica da iniciativa.
Além dos benefícios ambientais e energéticos, o projecto constitui também um motor de dinamização da economia rural, com efeitos multiplicadores na segurança alimentar, rendimento agrícola e acesso a créditos de carbono.
As práticas agrícolas adoptadas, de base agro-florestal e sintrópica, visam melhorar a produtividade e garantir estabilidade de rendimento aos produtores envolvidos.