Mensagem

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Blog de José Luís Mendonça

José Luís Mendonça é jornalista, escritor e docente universitário. Fundou e dirigiu durante sete anos o jornal CULTURA, quinzenário angolano de Artes & Letras. Actualmente reparte a sua vida pública entre o jornalismo, o ensino e o activismo cultural pelo fomento do livro e da leitura. MENSAGEM é uma homenagem ao primeiro movimento cultural surgido em Angola nos últimos 50 anos, o Movimento dos Novos Intelectuais de Angola, cujo lema "Vamos Descobrir Angola!" operaria uma revolução decisiva na sociedade colonial dos fins da década de 40. Mensagem é o nome da revista desse movimento onde estiveram concentrados os expoentes máximos da intelectualidade daquela época, que jogou um papel decisivo perante a História de Angola. Ester blog recupera do passado esse legado e essa designação da Mensagem, na crença de que, ao descobrir Angola, também se vai reencontrando a África e descobrindo o Mundo e o Universo.

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José Luís Mendonça é jornalista, escritor e docente universitário. Fundou e dirigiu durante sete anos o jornal CULTURA, quinzenário angolano de Artes & Letras. Actualmente reparte a sua vida pública entre o jornalismo, o ensino e o activismo cultural pelo fomento do livro e da leitura. MENSAGEM é uma homenagem ao primeiro movimento cultural surgido em Angola nos últimos 50 anos, o Movimento dos Novos Intelectuais de Angola, cujo lema "Vamos Descobrir Angola!" operaria uma revolução decisiva na sociedade colonial dos fins da década de 40. Mensagem é o nome da revista desse movimento onde estiveram concentrados os expoentes máximos da intelectualidade daquela época, que jogou um papel decisivo perante a História de Angola. Ester blog recupera do passado esse legado e essa designação da Mensagem, na crença de que, ao descobrir Angola, também se vai reencontrando a África e descobrindo o Mundo e o Universo.


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Contar uma Estória - O caçador e o cão

Caçador Tchókwe
Caçador Tchókwe Imagens: DR

José Luís Mendonça

Publicado às 11h04 02/04/2025

CONTAR UMA ESTÓRIA

O caçador e o cão

Um caçador tinha um cão que o seguia por todo lado onde fosse e o ajudava em todas as actividades.
Um dia, o caçador foi caçar com o cão. A carne era muita. O caçador então pensou e disse:
- Se fosses uma pessoa, podias ajudar-me a carregar toda a carne dos animais que cacei.

O cão ouviu o pedido do seu dono e respondeu:
- Não me fales mal: a partir de hoje, tu passas a ouvir a linguagem de todos os animais: não fales a ninguém, se falares morrerás: pega em paus, amarra-os e coloca toda a carne. Vou conseguir levá-la até a casa.

Passado algum tempo, o cão envelheceu e morreu. Certo dia, a sogra do caçador estava a pilar bombó e os animais rodearam-na, chamando-se uns aos outros. A Cabra disse:
- Venham aqui, onde cai mais migalhas.
A Galinha disse:
- Vamos cercá-la, porque se ela se atrapalhar vai cair muito.

O caçador tinha o dom de escutar o pensamento dos animais nas vozes deles. Assim que ouviu a Cabra e a Galinha, pôs-se a rir. A sogra do caçador chateou-se e, por causa disso, pediu uma reunião. Ela disse que o genro a ofendera porque se riu na cara dela sem motivo.

A aldeia toda se reuniu no jango. O soba exigiu uma explicação ao caçador. Então, a exigência da sogra e da comunidade toda fez com que o caçador falasse por que razão sorriu. O caçador já não se lembrava do aviso do falecido cão quando lhe disse “a partir de hoje, tu passas a ouvir a linguagem de todos os animais: não fales a ninguém, se falares morrerás”. E cometeu o erro de desvendar o segredo, dizendo que se riu não para ofender a sogra dele, mas simplesmente porque escutou o que a Cabra e a Galinha tinham dito.

Mal acabou de falar, morreu, tal como tinha predito o seu fiel cão.

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Fonte: João António Miguel, 76 anos; com.: Catete, Icolo e Bengo, 2014.

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