CAMINHOS DE FERRO
Corredor do Lobito domina debate da conferência de alto nível na Itália

30/03/2025 09h19
Luanda - O potencial do Corredor do Lobito e a cooperação com África constituíram dois dos principais assuntos que dominaram os debates da conferência de alto nível da União Europeia (UE), que decorreu em Roma, Itália, segundo uma nota da embaixada de Angola naquele país distribuída sábado a imprensa.
O evento, realizado na semana finda, teve como objectivo reforçar os laços entre os países africanos e a União Europeia.
Sob o lema "O Plano Mattei para África e o Global Gateway da UE: um esforço comum com o Continente Africano", o evento reuniu líderes políticos e representantes do sector privado, que debateram iniciativas concretas de cooperação entre a Itália, União Europeia e os países africanos.
Na ocasião, os intervenientes destacaram que o Corredor do Lobito, também conhecido como Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB), desempenha um papel estratégico ao conectar o interior africano ao Oceano Atlântico, beneficiando, em particular, países sem acesso ao mar, como a Zâmbia e a República Democrática do Congo.
Mais do que uma simples rota comercial, adianta a nota, o Corredor do Lobito é uma via essencial para a inserção desses países nos mercados globais, facilitando a exportação de minerais, produtos agrícolas e bens manufaturados.
Com uma extensão total de 1 866 quilómetros, o CFB representa uma importante ligação entre o interior e o litoral angolano, assim como entre Angola e seus vizinhos.
A partir do Luau, a infraestrutura se conecta aos sistemas ferroviários da província de Katanga, RDC, e da Zâmbia. Por meio da Zâmbia, o sistema ferroviário também se interliga à Beira (Moçambique) e Dar es Salaam (Tanzânia), reforçando a integração regional e a dinamização do comércio intercontinental.
Citado na nota, o diretor-geral do Ministério dos Transportes de Angola, Eugénio Fernandes, destacou durante o evento a relevância económica e social do Corredor de Lobito para a região Austral da África.
De acordo com a nota, as discussões ocorreram em três sessões temáticas, abordando projectos em andamento e a sinergia entre o Plano Mattei, promovido pela Itália, e a estratégia europeia Global Gateway.
A par disso, ocorreram também sessões paralelas que exploraram outros eixos estratégicos da parceria euro-africana, como infra-estruturas digitais, cooperação energética euro-mediterrânica e a cadeia de valor do café no continente africano.
O evento ocorreu um ano após a Cimeira Itália-África de 2024 e um mês depois da posse da nova liderança da União Africana, presidida pelo presidente de Angola, João Lourenço.
Aberta pelo coordenador do Plano Mattei, Fabrizio Saggio, e pelo diretor-geral para Parceria Internacional da Comissão Europeia, Koen Doens, a conferência foi co-presidida pelo Governo italiano e pela Comissão Europeia, contando com o apoio de Instituições Financeiras Internacionais (IFI).
O evento reuniu também figuras de destaque, incluindo os ministros dos Negócios Estrangeiros da Tanzânia, Mahmoud Thabit Kombo, e dos Transportes da Zâmbia, Frank Tayali, bem como representantes da República Democrática do Congo, dos Estados Unidos e de diversas empresas italianas, africanas e americanas dos sectores industrial, financeiro e bancário.
Tanto o Plano Mattei quanto o Global Gateway priorizam investimentos sustentáveis e estratégicos, alinhados às necessidades africanas e aos interesses da UE e da Itália em termos de segurança económica.
Segundo o Governo italiano, essas iniciativas visam impulsionar sectores-chave para gerar impacto duradouro no desenvolvimento socioeconómico do continente, promovendo a participação do sector privado e a transferência de conhecimento.